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Cabanagem: suas causas e consequências

A cabanagem foi uma das principais revoltas ocorridas no período regencial do Brasil.

Eduardo Angelim: um dos principais líderes da Cabanagem
Eduardo Angelim: um dos principais líderes da Cabanagem

 

O que foi

 

A Cabanagem, também conhecida como Guerra dos Cabanos, foi uma revolta de caráter social e popular, que ocorreu na Província do Grão-Pará (região norte do Brasil no período imperial) entre os anos de 1835 e 1840.

 

Principais objetivos do movimento:

 

- Os revoltosos pretendiam obter a independência da província do Grão-Pará em relação ao Império Brasileiro.

- Já a população mais pobre da província lutou para conquistar melhores condições de vida, pois pretendiam sair da pobreza extrema.

 

Principais causas e contexto histórico:

 

- Vale lembrar que esta revolta ocorreu no Período Regencial, fase de muita instabilidade política gerada pela abdicação de Dom Pedro I, em 1831, quando o sucessor (futuro Dom Pedro II) tinha apenas 5 anos de idade. Nessa época, ocorreram muitas revoltas no Brasil.

- Excessiva carga de impostos que o governo imperial cobrava dos habitantes e comerciantes da região.

- O governo regencial brasileiro privilegiava os comerciantes portugueses da região, deixando de lado as reivindicações e necessidades dos comerciantes brasileiros.

- O governador da província, que seguia orientações do governo imperial, agia com força, prisões e até violência contra qualquer tipo de manifestação social e política contrária ao governo central (regencial).

- Insatisfação popular em relação ao custo de vida, remuneração baixa e pobreza e miséria na região.

- Muitos políticos brasileiros (membros da elite), que faziam parte do governo provincial, queriam mais autonomia política, ou seja, poder tomar mais decisões sem a interferência direta do governo central brasileiro.

 

Participantes e lideranças:

 

- A Cabanagem contou com a participação ativa de pessoas pobres da região. Muitos deles moravam em cabanas construídas próximas aos rios. Inclusive, o nome da revolta, está relacionado com esse fato. Essa camada social, que vivia em extrema pobreza, era formada por índios (principalmente tapuios), negros libertos, mestiços e trabalhadores simples, que possuíam condições de trabalho muito precárias e com baixíssima remuneração. Todas essas pessoas estavam muito insatisfeitas, pois o governo imperial era insensível a tudo isso.

- Os principais líderes do movimento foram: Félix Clemente Malcher (militar e político brasileiro), Antônio Vinagre (lavrador), Francisco Pedro Vinagre (lavrador e político brasileiro), Eduardo Angelim (político) e Vicente Ferreira Tavares Coutinho.


Imagem da Cabanagem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cabanagem: uma das principais revoltas populares do período regencial

 

 

 

Como foi e como terminou a revolta

 

Em 7 de janeiro de 1835, os revoltosos tomaram o palácio do governo de Belém. O presidente da província (Bernardo Lobo de Souza) e o Comandante das Armas foram assassinados. Após conquistarem o quartel de Belém, obtiveram grande quantidade de armamentos e munições. Em poucos dias os revoltosos tomaram quase toda a cidade.

Dois dos líderes do movimento ocuparam os cargos mais importantes da província do Grão-Pará. Na presidência da província, os rebeldes colocaram Clemente Malcher e como Comandante das Armas assumiu o líder Francisco Pedro Vinagre.

 

Em 1840, o governo imperial enviou forças militares para a região para acabar com o movimento. Inclusive, quatro navios de guerra foram enviados para a costa do Pará. Com menos preparo e armamentos, os cabanos foram derrotados. Muitos foram presos, enquanto outros fugiram para as outras províncias.

 

Principais consequências:

 

- Enfraquecimento econômico da província do Grão-Pará.

- Diminuição populacional, pois morrem cerca de 35 mil revoltosos. Muitas pessoas também fugiram da região para outras províncias.

- Fortalecimento do poder central, principalmente de Dom Pedro II, que já era imperador quando o movimento foi derrotado.

- Criação da província do Amazonas, em 1850.

 

 

Documento Histórico sobre a Cabanagem:

 


Proclamação de Eduardo Angelim, um dos líderes da revolta

 

"Corajosos Paraenses, valentes defensores da Pátria e da Liberdade! Depois de nove dias de fogo mortífero com outras tantas noites, estamos senhores da formosa Belém, capital da província! Os dois estrangeiros Manuel Jorge Rodrigues e João Taylor lá se vão de fugida e duma maneira vergonhosa: o primeiro à frente de seus aguerridos e briosos batalhões de voluntários, e o segundo à frente de sua esquadra de intrépidos marinheiros! Esta cidade, que ainda há poucos dias era governada por um presidente rebelde, apresentava um quadro risonho e encantador. Girava o comércio, funcionavam todas as repartições públicas, havia sossego, paz e ordem. Hoje o que vemos nós? Com dor o digo, esta tão bela cidade, tão cheia de encantos, está reduzida a um montão de ruínas! Para todas as partes, onde lançamos as nossas vistas, só vemos a imagem da dor e da tristeza!

 

"Amados patrícios! Seremos nós os responsáveis perante Deus por tantos males que hoje pesam sobre o Pará? Certamente que não. Os dois monstros e fugitivos estrangeiros Jorge e Tayior serão os únicos responsáveis diante do Ser Supremo e perante a história, pelas grandes desgraças que hoje pesam sobre a inocente família paraense! Amparo e proteção para milhares de famílias inocentes, que neste momento estão sob nossa guarda! Seja cada um de vós um pai, um protetor da inocência desvalida! Procedendo assim bem teremos merecido da pátria e das gerações futuras.

 

"Meus amados patrícios! Eu vos afiancei que o infame e opressor jugo estrangeiro havia de cair por terra e que seríamos os vencedores. Realizaram-se os meus bons desejos e gratas esperanças. Vós sois dignos do nome paraense! Vós todos, soldados da liberdade, estais coberto de glória pelo vosso patriotismo, valor e constância! Os nossos inimigos são os primeiros a confessar o vosso valor e heroismo! Nos combates desesperados que sustentamos, eu fui o que menos fiz: porém sempre me achei ao vosso lado e onde havia perigo. Era um dever de honra a cumprir. A nossa obra ainda não está concluída, ainda resta muito a fazer. Antes de tudo, peço-vos que modereis o vosso ardor guerreiro, e amanhã ou depois teremos que aclamar um presidente que mereça a nossa estima, confiança e respeito. Dignos chefes de todas as colunas, vós todos sois merecedores dos maiores louvores e elogios pelo vosso valor, firmeza de caráter e lealdade. Vivam os descendentes dos Ajuricabas e Anagaíbas! Vivam os paraenses livres! Viva o Pará!"

 

 

Artigo publicado em: 07/07/2020
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Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).

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