Regência Una de Feijó: o que foi e características
O Padre Feijó foi regente do Brasil entre 1836 e 1837.

O que foi a Regência Una de Feijó
Após a abdicação de D. Pedro I, em 1831, seu filho era menor de idade e o Brasil foi governado por regentes até que o herdeiro ao trono tivesse condições de assumir o cargo.
Eleições e escolha do padre Feijó para ser regente
Em 1835, durante o período regencial, ocorreram eleições para a escolha de um regente para o Brasil. Foi eleito, na ocasião, o padre Diogo Antônio Feijó, que venceu por uma pequena margem de votos o outro candidato, que era Antônio Holanda Cavalcante, representante dos fazendeiros nordestinos.
O padre Feijó foi apoiado pelas províncias da região Sul e também por Goiás e Minas Gerais.
Quem era o padre Feijó?
O Padre Diogo Antônio Feijó foi uma das figuras mais influentes do período regencial brasileiro, destacando-se por seu papel como regente único entre 1835 e 1837. Nascido em São Paulo, em 1784, Feijó foi sacerdote, político e intelectual, tendo atuado ativamente na luta por reformas que fortalecessem a estrutura administrativa do Império do Brasil. Defensor de ideias liberais, ele se opôs ao centralismo excessivo herdado da monarquia absolutista e buscou equilibrar os poderes entre as províncias e o governo central. Além de sua atuação como regente, teve uma longa trajetória política, ocupando cargos como senador e ministro da Justiça, sendo lembrado por sua firmeza moral e pela tentativa de modernizar o país em meio a um cenário de intensa instabilidade política e social.
Problemas e características da regência de Feijó
Feijó assumiu o cargo de regente, em 1836, quando a situação política do Brasil era crítica. Além da insatisfação popular, ocorreram várias revoltas e movimentos sociais durante a regência Una de Feijó.
No Sul do Brasil estourou a Revolução Farroupilha (Guerra dos Farrapos), enquanto na província do Pará ocorreu uma insurreição popular, que ficou conhecida como Cabanagem. Nessa mesma época estourou também uma revolta de escravizados na província da Bahia, que ficou conhecida como Revolta dos Malês.
Feijó foi regente do Império do Brasil até 19 de setembro de 1837.
Quais foram as contribuições de Feijó para a transição para o Segundo Reinado?
As contribuições de Feijó para a transição para o Segundo Reinado foram fundamentais, especialmente no que diz respeito à centralização do poder, à organização administrativa e à defesa de princípios liberais que influenciaram a ascensão de D. Pedro II.
Durante sua regência, Feijó procurou consolidar a autoridade do governo central, enfrentando a fragmentação política resultante das disputas provinciais e das revoltas regenciais. Suas tentativas de fortalecer as instituições e de impor a ordem contribuíram para a preparação do país para a posterior estabilização sob o Segundo Reinado. Além disso, seu posicionamento em defesa da moralidade pública e do combate à corrupção ajudou a criar um ambiente político mais favorável à aceitação de um governo forte e estável.
Embora tenha enfrentado forte oposição e dificuldades financeiras, suas iniciativas na área da educação e da justiça pavimentaram o caminho para reformas que seriam ampliadas no reinado de D. Pedro II, contribuindo para a construção de uma administração pública mais eficiente e organizada.
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Artigo publicado em: 09/09/2019. Atualizado em 25/01/2025
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
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Fontes de Pesquisa e Bibliografia Indicada
Fontes de pesquisa utilizadas na elaboração do artigo:
FLORES, Moacyr. Dicionário de História do Brasil. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.
FERREIRA, Olavo Leonel. História do Brasil. São Paulo: Ática, 1986.