Revolução Federalista: o que foi, contexto, causas e consequências
A Revolução Federalista foi um conflito que ocorreu no Sul do Brasil no final do século XIX.

O que foi
A Revolução Federalista foi um conflito de caráter político (guerra civil), ocorrido no Rio Grande do Sul entre os anos de 1893 e 1895, que desencadeou uma revolta armada. A revolta atingiu também o Paraná e Santa Catarina.
Contexto histórico
A Revolução Federalista ocorreu entre 1893 e 1895, em um período de instabilidade política na Primeira República do Brasil, marcada por disputas entre facções que defendiam modelos distintos de organização do poder.
O país vivia as consequências da Proclamação da República (1889) e da deposição de Deodoro da Fonseca, que levou Floriano Peixoto à presidência. No Rio Grande do Sul, a rivalidade entre republicanos positivistas, liderados por Júlio de Castilhos, e federalistas, comandados por Gaspar Silveira Martins, agravou-se, refletindo uma divisão entre o modelo centralizador defendido pelos primeiros e a proposta de maior autonomia regional sustentada pelos últimos.
Além das disputas locais, a revolta também se inseria em um contexto de resistência à centralização do poder imposta pelo governo republicano, que reprimia opositores com violência.
Principais causas da Revolução Federalista:
- Insatisfação dos federalistas com o domínio político de Júlio de Castilhos (presidente do RS) do Partido Republicano Rio-grandense.
- Disputa política entre dois grupos políticos gaúchos: os chimangos (pica-paus) eram defensores do governo de Júlio de Castilhos, da centralização política, do presidencialismo, do positivismo e do governo federal. Já os maragatos (federalistas) queriam tirar Júlio de Castilhos do poder do RS, implantar um sistema descentralizado, baseado no parlamentarismo. Os federalistas eram também contrários à política implantada pelo governo federal após a Proclamação da República e exigiam uma revisão da constituição.
- Além das questões políticas, é importante considerar o contexto social e econômico do período. O Rio Grande do Sul era uma região marcada por uma economia agropecuária dominada pelos grandes estancieiros, que controlavam vastas extensões de terra e estavam profundamente insatisfeitos com a perda de privilégios com a República. As tensões sociais entre esses estancieiros e as novas classes urbanas emergentes, que apoiavam Júlio de Castilhos, contribuíram para a radicalização do conflito. A guerra também trouxe consequências econômicas devastadoras para a região, com a destruição de propriedades e a interrupção do comércio.
Início, desenvolvimento e fim da revolta
Em fevereiro de 1893, os federalistas pegaram em armas para derrubar o governo de Júlio de Castilhos. Floriano Peixoto, presidente do Brasil, se colocou ao lado do governo gaúcho. O conflito acabou tomando âmbito nacional, pois os opositores de Floriano passaram a defender o movimento federalista no RS.
Os federalistas tiveram algumas vitórias no começo do movimento. Sob a liderança de Gumercindo Saraiva, os federalistas avançaram sobre Santa Catarina.
Em janeiro de 1894, os federalistas se uniram aos participantes da Revolta da Armada. Entraram no estado do Paraná e tomaram a cidade de Curitiba.
No final de 1894, o movimento federalista perdeu força. Na batalha da Lapa, no Paraná, as forças federais de Floriano Peixoto venceram os revoltosos. Com a chegada de tropas paulistas, os federalistas tiveram que recuar.
A paz foi assinada em 23 de agosto de 1895, na cidade de Pelotas, e selou a derrota dos federalistas.
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Cerco da Lapa: ocorrido entre janeiro e fevereiro de 1894, foi um episódio decisivo da Revolução Federalista, no qual forças legalistas resistiram ao avanço dos federalistas na cidade da Lapa, no Paraná. Comandados pelo coronel Antônio Ernesto Gomes Carneiro, os defensores enfrentaram por quase um mês um cerco intenso, apesar da inferioridade numérica e da escassez de recursos. A resistência retardou o avanço dos rebeldes rumo ao Rio de Janeiro, permitindo que o governo de Floriano Peixoto organizasse a defesa da capital e garantisse a vitória republicana no conflito. |
Consequências principais:
- Enfraquecimento do governo de Floriano Peixoto: a revolta representou uma grande ameaça ao governo republicano, exigindo repressão intensa e demonstrando a fragilidade da nova república.
- Intensificação da repressão política: o governo adotou medidas severas contra os rebeldes, incluindo prisões, execuções sumárias e exílios, reforçando o autoritarismo na Primeira República.
- Consolidação do poder das oligarquias estaduais: o conflito fortaleceu os grupos políticos dominantes nos estados, especialmente no Rio Grande do Sul, onde os republicanos positivistas se consolidaram no poder.
- Agravamento das disputas regionais: a Revolução Federalista acirrou os conflitos entre facções políticas rivais, ampliando a instabilidade na política nacional e dificultando a pacificação do país.
- Fortalecimento do Exército: a necessidade de repressão ao movimento contribuiu para a maior influência do Exército na política, reforçando sua posição como instituição essencial na manutenção da ordem republicana.
Conclusão
A Revolução Federalista, embora não tenha conquistado seus objetivos, nos mostra que a Proclamação da República e seu sistema político não foram aceitos de forma unânime no Brasil. Alguns grupos políticos contestaram, inclusive de forma armada, o regime republicano, o positivismo, a centralização de poder e a presença das oligarquias nos governos estaduais. Portanto, a Revolução Federalista pode ser compreendida dentro deste contexto histórico de insatisfação com o regime republicano, recém-instalado no país após o 15 de novembro de 1889.
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Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 12/03/2025
Veja Também
Fontes de Pesquisa e Bibliografia Indicada
Fontes de pesquisa utilizadas na elaboração do artigo:
CARONE, Edgard. A Primeira República (1889-1930): texto e contexto. São Paulo: Difel, 1969.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.