Governo Jânio Quadros: medidas, características, crise e renúncia
O governo Jânio Quadros foi marcado por um estilo personalista, medidas moralizadoras e uma política externa independente, mas sua instabilidade política resultou em uma renúncia inesperada que abalou o cenário institucional do Brasil.

Quem foi Jânio Quadros
Jânio Quadros foi uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira no século XX. Nascido em Campo Grande, em 1917, construiu sua carreira política em São Paulo, onde começou como vereador, tornando-se deputado estadual, prefeito da capital e governador do estado. Sua imagem era associada ao combate à corrupção, destacando-se pelo discurso moralizador e pelo uso de símbolos como a vassoura, que representava a ideia de "varrer" a corrupção do país. Conhecido por seu estilo populista e gestos extravagantes, Jânio possuía grande apelo popular e se tornou presidente da República em 1961, em um governo breve, mas marcado por polêmicas e contradições.
Como Jânio Quadros chegou à presidência da República?
A eleição presidencial de 1960 foi marcada pela polarização entre Jânio Quadros e o candidato governista, Marechal Lott. Jânio venceu com uma expressiva votação, impulsionado por sua imagem de líder moralizador e independente dos grupos tradicionais da política. Apesar de sua vitória, seu vice-presidente, João Goulart, era de um partido adversário, o que criou uma configuração política complexa para seu governo.
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Jânio quadros fazendo um discurso durante a campanha presidencial em 1960 |
Principais medidas e ações do governo Jânio:
- Política externa independente: adotou uma diplomacia que buscava autonomia em relação aos Estados Unidos, aproximando-se de países socialistas como a China e a União Soviética.
- Condecoração a Che Guevara: concedeu a Ordem do Cruzeiro do Sul ao líder revolucionário cubano, o que gerou forte oposição interna.
- Combate ao jogo e costumes: proibiu as rinhas de galo, o uso de biquínis em concursos de beleza e a prática do jogo.
- Controle da inflação: adotou medidas econômicas para conter a alta dos preços, incluindo cortes nos gastos públicos e tentativas de valorização da moeda.
- Criação do Cruzeiro Novo: buscou reformar a moeda para conter a inflação e equilibrar a economia.
- Tentativa de fortalecimento do poder presidencial: ensaiou medidas para aumentar seu poder diante do Congresso Nacional.
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Jânio condecorando Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul |
Principais características políticas do governo Jânio Quadros:
1. Nacionalismo: defendeu maior autonomia do Brasil em relação às potências estrangeiras, promovendo uma política externa independente.
2. Moralismo: sua gestão foi marcada por um discurso contra a corrupção e por medidas simbólicas que buscavam transmitir austeridade.
3. Autoritarismo: tentou governar de forma centralizadora e teve dificuldades em dialogar com o Congresso, o que gerou instabilidade política.
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Foto do presidente Jânio Quadros em reunião com governadores, em 1961 |
Problemas enfrentados, crise política e renúncia
Desde o início de seu governo, Jânio enfrentou oposição do Congresso Nacional e das elites políticas. Sua política externa foi vista com desconfiança pelos setores conservadores, especialmente pela aproximação com países socialistas. Além disso, suas medidas econômicas geraram insatisfação, pois não conseguiram conter a inflação e agravaram a crise econômica.
Em 25 de agosto de 1961, de maneira inesperada, Jânio Quadros renunciou ao cargo, alegando estar sendo pressionado por "forças ocultas". A renúncia gerou uma grave crise política, pois a posse do vice João Goulart foi contestada por setores militares, levando ao movimento que resultaria no parlamentarismo e, posteriormente, no golpe de 1964.
Saiba mais:
- Saiba mais sobre a renúncia de Jânio Quadros no site do Senado Federal.
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Por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)
Publicado em 24/02/2025
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Fontes de Pesquisa e Bibliografia Indicada
PILETTI, Nelson. História e Vida Integrada. São Paulo: Editora Ática, 1998.